Depois de 5 meses no Japão o cara cai na real e percebe que no Brasil é que as pessoas se divertem mesmo e que aqui nesse país eles não fazem a mínima idéia do que é diversão. Festival tradicional bom é carnaval, os festivais que têm aqui no Japão não chegam nem perto disso.
Logo que cheguei aqui, meus fins de semana eram relativamente depressivos e quase nunca tinha algo pra fazer. Numa sexta feira, depois da aula de Japonês, os professores (esses 2 que estão nessa foto aí abaixo) pediram pra que eu e Viktor (foto abaixo da dos professores), um colega meu húngaro, branquelo, tímido pra caralho e que só se comunica para falar o indispensável (e que por tudo isso me lembra o meu irmão, o Padre Fábio), permanecêssemos na sala de aula depois que a aula terminasse.
Depois que todo mundo saiu da sala de aula e em tom de segredo eles falaram pra nós dois que tinham uma proposta irrecusável: No final de semana iria ocorrer um festival altamente tradicional em Tokyo e as pessoas do bairro que ele acontece queriam a representação de 2 estrangeiros da nossa Universidade. Eu e Viktor, não tendo nada pra fazer no FDS e sentindo que a oportunidade era única, não titubeamos e decidimos participar do festival.
Até a hora de começar, a gente não sabia ao certo como era a parada. As únicas informação que tínhamos é que o nome era "Mikoshi", que a gente ia carregar um mini templo nas costas, e que se tratava de um festival da religiao Xintoísta.
Uma pausa agora pra informacao sobre esse festival (quem não tiver interesse, pule esse paragrafo. Se fosses vocês, pularia):
Segundo a Wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Mikoshi) e segundo http://sightseeing.in-japan.jp/2007/05/mikoshi_festival_matsuyamas_fa.html, durante esse festival, eles carregam esse mini templo pelas redondezas (por exemplo, pelo bairro que se localiza um templo xintoísta) levando boa sorte ao comércio local e aos moradores, pois acreditam que o Deus deles está o habitando. Algo desse tipo (religião não é muito meu forte).
Quando a gente chegou no lugar, percebemos que o festival, como tudo aqui no Japão (e no Brasil também), era só mais um motivo pra juntar as pessoas e encher a lata, o que foi algo muito positivo.
O problema é que, antes de encher a lata, a gente teve que vestir umas roupinhas muito sisnistras (e também ver os japoneses com umas roupinhas pra lá de estranhas, tipo, alguns tavam de fio dental) e carregar a porra do templo durante umas 2 horas, balançando o tempo todo e sofrendo com aquelas toras de madeira no nosso ombro.
No final das contas, nossa conclusão foi que essa galera daqui é muito sinistra e que, apesar de não termos nada pra fazer no fim de semana, é melhor não fazer nada do que participar de um festival bizarro como esse.
Quase um carnaval.
Resumindo todo o fato, especialmente meus amigos de brasília vão entender essa expressão final, mais um "bote certo" pra coleção.